19/08/2014 às 09h02min - Atualizada em 19/08/2014 às 09h02min

César Maluco quer fim de vaidade pelo Palmeiras

Segundo maior artilheiro da história do clube diz que dirigentes hoje tornam cargos como emprego e relembra de sua época

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César Maluco está maluco da vida. O ex-jogador está de cabeça quente no momento por causa da situação do Palmeiras, clube onde é ídolo e segundo maior artilheiro da história. Para o especial de Centenário doPortal da Band, ele pediu jogadores de mais qualidade no elenco, nem que para isso aumente as dívidas. Também lembrou como as coisas eram tratadas em sua época e cobrou o fim da briga de vaidades dentro do clube, fato que para ele não contribui em nada para que o Palmeiras volte a ser o que sempre foi acostumado: campeão.

 

“Tem que ter mais respeito pela instituição. Vamos parar de ter vaidade de ser presidente do Palmeiras. Ser presidente só para aparecer na revistas, no jornal? O time tem que gastar, tem que colocar um time de ponta como sempre foi, na década de 60, 70 e 90. Isso que nós temos que voltar, colocar o Palmeiras no seu devido lugar, entre os grandes", afirmou.

 

"Hoje ninguém acredita no Palmeiras e não pode acontecer isso. Por que? Infelizmente temos jogadores que não estão acostumados a ser campeão e o time que quer ser campeão tem que trabalhar com jogadores acostumados a darem a volta olímpica. Quando você não esta acostumado, tanto faz como tanto fez. E não é assim. Temos que botar no nosso dicionário que não existe derrota. Nosso dicionário é só vitória. Acabou”, opinou.

 

Carioca, César é um apaixonado pelo Palmeiras. Para ele, o atual elenco do clube não sabe da grandeza da instituição. “Esse manto sagrado é muito glorioso. Não é assim, que qualquer um chega e vai vestir essa camisa. Quem não sabe disso é porque não vestiu ela. Quem vestiu sabe como ela é pesada e gostosa de vestir. Mas os caras não sabem disso”, argumentou com pesar na voz.

 

Chega de 'chinelinhos'

 

Entre outras coisas que César não consegue admitir é o tratamento que os jogadores tem hoje. Para ele, é inadmissível um atleta passar tanto tempo no Departamento Médico como os atuais passam. Ele lembra que na sua época não havia tanta liberdade e que o clube tem que fazer valer seus direitos como empregador. Para ele, “quem não gostar que procure outro clube” e justifica lembrando do caso de Djalma Santos. César também é defensor da ideia de que diretor tem que ter um fonte de renda que não seja o clube.

 

“Hoje o diretor tem medo do jogador, mas quem paga é o diretor. O jogador manda nele.Futebol não é isso, futebol é sério. ‘Quem paga sou eu, então tem que obedecer’. Como era em 60 e 70. Na minha época o ‘homem’ chegava e falava: ‘é isso aqui o que tem, se quiser assinar tudo bem, se não quiser pode ir procurar outro clube’. Numa dessas o Djalma foi embora, porque o Palmeiras foi firme", lembrou.

 

"Isso era diretor de futebol. Cada um deles tinha seu trabalho fora do clube e não dependiam dele. Infelizmente eles fazem hoje do clube seu emprego, e isso é ruim. Tem que acabar também o negocio de jogador estar no DM por qualquer motivo. No meu tempo não tinha isso não. A medicina hoje está muito avançada, você pode operar om joelho e em uma semana o cara tá jogando. Como hoje alguém fica três meses no DM? É porque dão liberdade. Futebol querendo ou não é uma ditadura, é negocio sério, não quer trabalhar aqui? Vai embora, mas tem que saber contratar. Tem que ter alguém para isso”, comenta.

 

Endividar para crescer

 

Para voltar a ser vitorioso, César admite até aumentar as dívidas do clube. Segundo ele, é preciso investir com qualidade para depois se ter retorno e só assim uma nova geração de palmeirenses poderia surgir. Ele também defende um plantel mais reduzido, com 26, 27 nomes que possam “dar conta do recado”, ao invés de um inchado que não resolve os problemas. Enquanto acompanha a vida do clube de fora, apenas como um torcedor, César não descarta fazer parte da diretoria caso Vladimir Pescarmona vença as próximas eleições presidenciais do clube e, apesar de elogiar o atual presidente Paulo Nobre, aponta fatos que não podem acontecer no clube.

 

“O Palmeiras ainda se desfaz de seus ídolos. Quantos jogadores de renome foram barrados na academia recentemente? Quantos jogadores que ajudaram a tornar o Palmeiras essa glória toda nunca foram homenageados e morreram sem nada? Tivemos o Oberdan Cattani que era louco pra ter o busto dele lá. Se for fazer comigo que faça em vida! Depois que morre não adianta m... nenhuma", reclamou.

 

"O Palmeiras é tudo na minha vida e se amanhã eu estiver no grupo vou dar minha opinião. O Palmeiras tem que ser outro, não esse de cinco, seis anos pra cá. Tem que trabalhar com time de ponta. Time que não tem dívida não é time. Cair três vezes é sacanagem. O futebol é retorno e se você tem um time de ponta, vai ter. Vai ver os torcedores irem ao estádio com paixão. É isso”, definiu o Maluco, que está há 47 anos em São Paulo por um só motivo: o Palmeiras.


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