16/07/2014 às 09h44min - Atualizada em 16/07/2014 às 09h44min

Interpol é acionada para achar integrantes do PCC

Nesta terça-feira, foram presas 38 pessoas e apreendidos dois adolescentes em uma operação da Polícia Civil contra a facção

Do Café com Jornal, com Agência Brasil
Renato C. Cerqueira/Futura Press/Folha Press

A polícia de São Paulo acionou a Interpol para localizar integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) que estão foragidos em outros países.

A operação que desarticulou o núcleo financeiro da facção tenta identificar policiais que estejam envolvidos com o crime organizado.

Nesta terça-feira, foram presas 38 pessoas e apreendidos dois adolescentes em uma operação da Polícia Civil contra a organização criminosa que age dentro e fora dos presídios paulistas. A operação, que pretendeu atingir os setores financeiro e administrativo da organização criminosa, prendeu lideranças do PCC, como Amarildo Ribeiro da Silva, conhecido como Júlio, que liderava o setor financeiro do grupo e era responsável também pela liberação de altas quantias para a compra de drogas. Entre os presos estão 15 mulas, a maioria mulheres que transportavam a droga para os pontos de venda.

 

  



“Com o desencadeamento da operação, concluímos que atingimos efetivamente a parte financeira da organização. Obviamente não atingimos toda a organização, que é muito grande, mas isso demonstra que estamos atentos ao que está acontecendo e vamos continuar [a operação]”, disse o delegado Ruy Ferraz Fontes, que liderou a ação policial.

A operação, comandada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), teve início no dia 19 de fevereiro, com a prisão de uma pessoa que atuava na administração de 51 pontos de venda do PCC na capital, mas se intensificou durante o último final de semana quando a maior parte dos membros do PCC foi presa.





A operação foi chamada de Bate-Bola. “Este é um termo que os criminosos usam para denominar como eles se comunicam, com pequenos bilhetes, cartinhas e pequenas anotações em celulares”, explicou o delegado Wagner Giudice, diretor do Deic. A ação mobilizou 200 policiais e contou com escutas telefônicas e interceptações de mensagens autorizadas pela Justiça. Também foram usadas câmeras escondidas que flagraram reuniões dos integrantes da organização criminosa.

Durante a investigação, a polícia identificou que Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, continua liderando as ações do PCC, mesmo estando preso em Presidente Venceslau, mas utilizando agora o codinome Russo, referência ao seu discurso marxista. “O esquema funcionava principalmente pela entrega de cartas e bilhetes às famílias”, explicou Fontes. “Marcola é, talvez, a pessoa intelectualmente mais preparada e, por seu carisma, lidera todo mundo. Toda a decisão parte de 15 pessoas que estão presas lá [em Presidente Venceslau], e a execução da operação feita pelo Amarildo, do lado de fora”, explicou Fontes. A polícia estima que o grupo movimentava R$ 7 milhões em média por mês.

Por causa disso, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, disse que pretende pedir à Justiça, mais uma vez, para que Marcola seja encaminhado ao Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), onde ficará isolado 22 horas por dia. “Vamos analisar essas provas. Se houver existência de falta grave [de Marcola], podemos provocar o Judiciário para pedir a ida do chefe da facção ao RDD. O Ministério Público também pode fazer isso, independente da Secretaria de Segurança ou da Administração Penitenciária”, falou ele.

Na operação foram apreendidos 31 automóveis [cinco deles de luxo], duas motos, 102 quilos (kg) de cocaína, 40 kg de maconha, 300 frascos de lança-perfume, munições, um fuzil, uma submetralhadora, quatro pistolas, computadores, celulares e R$ 120,9 mil em dinheiro. Três contas bancárias da organização foram bloqueadas e serão analisadas pela polícia.


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